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segunda-feira, 30 de agosto de 2010

UM LEÃO ELÉTRICO

PEUGEOT VLV (VOITURE LÉGÈRE DE VILLE)



A miniatura | País: França | Ano: 1941 | Marca: Norev | Escala: 1/43 | Categoria: Carro de rua

Durante a segunda guerra mundial a indústria automobilistíca francesa estava destruída. Os franceses estavam impedidos de usar gasolina que, assim como o diesel, ficavam totalmente à disposição do exército alemão. O carvão, o gasogênio e a eletricidade eram a saída. Os dois primeiros combustíveis eram muito perigosos e acarretavam um peso adicional aos veículos. Por isso logo começaram a ser descartados. Então, em 1941, a S.A. des Automobiles Peugeot, estabelecida em Paris, França, apresentou este estranho e pequeno veículo movido à eletricidade. VLV (Voiture Légère de Ville), o veículo leve para cidade, que pesava 365 kg, podia levar duas pessoas e alguma carga. Tudo não podia ultrapassar os 150 kg. Media 2,67 m de comprmento, 1,21 m de largura e 1,27 cm de altura, com distância entre eixos de 1,79 m, tendo o eixo dianteiro 1050 mm e o traseiro 330 mm de comprimento, e quatro rodas de 270x90 mm. Chassis em aço, carroceria em alúmínio, de formas simples, com duas portas com excelente abetura, um porta-malas que permitia transportar apenas pequenos volumes e uma capota que podia ser abaixada. Um farol circular dianteiro e uma lanterna traseira, ambos circulares. Motor elétrico de 48V, alimentado por quatro baterias de 12 volts, colocadas sob o capô, proporcionavam uma autonomia de 50 milhas (80 km) e velocidade máxima de 30km/h (19mph). Entre 1941 e 1945 foram produzidas 377 unidades desse microcar.

sexta-feira, 23 de julho de 2010

AUTO AVIO COSTRUZIONE 815S, UM CARRO PROIBIDO DE SE CHAMAR FERRARI


A Ixo reproduz o carro na escala 1/43 na cor original - vermelho escuro - como protótipo. Código FER034.


O PRIMEIRO CARRO DE ENZO FERRARI

Ao romper o vínculo da Scuderia Ferrari com a Alfa Romeo, Enzo Ferrari, por força de cláusula contratual, não poderia usar o nome Ferrari em carros de competição durante quatro anos. Fundou em 1939, na cidade de Modena, Itália, perto da oficina da Scuderia Ferrari, a Auto Avio Costruzione, cujo objetivo societário não era fabricar automóveis.


Persuadido pelo Marquês Lotaro Rangoni, Enzo Ferrari dedicou-se a construir um carro destinado a competir nas Mille Miglia de 1940. Com desenho de Alberto Massimino, que gerenciou toda a operação, o modelo 815S saiu das pranchetas para tomar forma, utilizando basicamente componentes FIAT.

O carro tinha um motor de 8 cilindros em linha (resultante da junção de dois motores Fiat 508C 1100 de 4 cilindros}, 1,5 l (1496CC), 72HP (54kw) a 5500 rpm, chegando aos 170 km/h. Foi montado sobre chassis do Fiat 508C Balila 1100 e sua carroceria, extremamente aerodinâmica, produzida por Carrozeria Touring de Milão, Itália. Seu peso era de cerca de 625 kg.

Apenas duas unidades foram fabricadas. Uma foi adquirida por Alberto Ascari, que a pilotou nas Mille Miglia em dupla com Giovani Minozzi. A outra foi vendida ao Marquês Lotaro Rangoni, que a dirigiu juntamente com Enrico Nardi.

Ascari abandonou na segunda volta, com problemas no motor e logo após Rangoni fez o mesmo, devido a defeito na transmissão.

Com o advento da II Guerra Mundial, a exemplo do que ocorreu com tantas outras, a empresa se viu forçada a produzir apenas equipamento bélico.

Passados os quatro anos impeditivos, em 1943 foi retomado o nome da Scuderia Ferrari. A empresa somente foi mudar de nome em 1947, quando passou a denominar-se Auto Costruzioni Ferrari, e somente nesse ano foi produzido o primeiro carro com a marca Ferrari.

Dos dois 815S, o carro de Rangoni foi totalmente destruído. Em 1958 pedaços desse veículo foram encontrados.

O de Ascari, durante a guerra ficou em mãos de um colecionador milanês - Enrico Beltracchini - e posteriormente foi vendido. Parcialmente restaurado, pois grande parte da pintura ainda é a original, hoje é peça de destaque na Coleção Righini de Anzola Emilia.

                                         
A Brumm apresenta miniaturas do 815S, na escala 1/43, como carros de competição, nas cores preta e vermelho escuro. Esta última era a cor original e o número 66 o usado por Ascari/Minozzi. Código R067.

quinta-feira, 8 de julho de 2010

ITALA 35/45HP


SOCIEDADE ITALA

A Sociedade Itala foi fundada em Turim, Itália, no ano de 1904, por Matteo Ceirano e Guido Bigio.
Três modelos de veículos foram oferecidos no primeiro ano de existência da empresa: um 18HP, um 24HP e um 50hP.
Já no ano de 1905, após a contratação de Alberto Balloco como diretor técnico, começaram a produzir carros de corrida, com motores enormes.
O maior deles, um 4 cilindros de 14,7 litros e 100HP, deixaria muitos motores de caminhões pesados de hoje parecendo pequenos.
Ganharam a Copa Florio desse ano e a Targa Florio em 1906, na Sicília, com um modelo 35/45HP.
No ano de 1907 a grande realização. Um modelo 35/45, com motor de 4 cilindros, 7,433cc, pilotado pelo Conde Scipione Borghese, venceu a Maratona Pequim/Paris.
O sucesso de seus veículos de corrida e os compradores de alto nível ajudaram em muito a demanda crescente. A Sociedade Itala teve um grande sucesso até o início da Primeira Grande Guerra. Muitos experimentos foram realizados. Uma gama de motores novos surgiu com base nessas idéias, como a válvula de luva e o sistema Avalve. Uma variedade de modelos de carros era oferecida então..
Com o início das atividades bélicas passaram a produzir veículos militares e motores para aviões.
Após a assinatura do armistício, a empresa voltou à produção de carros de corrida, mas agora baseados nos modelos de guerra. O Tipo 50, com 25/35HP, e o Tipo 55, onde reapareceu o sistema Avalve num motor de 4,426cc, foram dos primeiros a serem produzidos.
Grandes transformações ocorreram. Seus carros agora tinham motores pequenos, ao contrário dos enormes motores do pré-guerra. O sucesso de vendas anterior não se repetia.
Várias empresas, no decorrer dos anos 20 e início dos anos 30 do século passado, sofreram com as fracas vendas, dentro de uma economia abalada por dificuldades financeiras. A Ítala foi uma delas.
Em 1924, em virtude da má situação financeira, a empresa estava sendo executada. Os credores nomearam para o cargo de diretor geral um homem da Fiat, Giulio Cesare Cappa.
Ele produziu um novo modelo, o Tipo 61, com um potente motor de 60HP, 7 cilindros em linha, que foi bem recebido pelo púbico. Para tentar recuperar a clientela o carro foi oferecido em vários tipos de carroceria e tamanhos.
Mas logo a seguir Giulio Cesare Cappa decidiu retomar a produção de carros de competição. Surgiu, então, o Tipo 11, um veículo avançado para a época, com tração dianteira, toda suspensão independente, motor V12 superalimentado, mas que nunca chegou a competir.
Dois modelos Tipo 61S participaram, em 1928, das 24 horas de Le Mans, vencendo a classe dois litros.
A sociedade foi comprada por um fabricante de caminhões - Mettallurgiche Officine di Tortona -  em 1929 e mais algumas unidades de automóveis foram fabricadas até 1934. As grandes dificuldades financeiras acabaram por determinar e extinção da empresa.
O que restou da sociedade a Fiat arrematou no ano de 1935.

MARATONA PEQUIM/PARIS

31 de janeiro de 1907. O jornal francês Le Matin lançou o desafio.

                             "O que temos que provar hoje é que desde que o homem
                              tem  um  automóvel,  ele pode fazer qualquer coisa  e ir a
                              qualquer  lugar.  Existe  alguém  que  concorda  em  ir  no
                              próximo verão de Pequim a Paris, de carro?"

Uma prova de resistência de 14.994 km. A Sibéria. O deserto de Gobi. Temperaturas gélidas, temperaturas escaldantes. Povos estranhos, línguas diferentes. Tudo através de dois continentes. O percurso era livre, mas deveriam passar obrigatoriamente por pontos intermediários: Zhangjiakou, Ulaanbaatar, Ulan-Ude, Irkutsk, Krasnoyarsk, Omsk, Cheyabinsk, Petropavlovsk, Perm, Kazan, Nizhny Novgorod, Moscou, Varsóvia e Berlim.
Qurenta equipes se inscreveram, mas apenas cinco conseguiram levar seus veículos até Pequim. A organização da prova cancelou o evento, Mas aqueles que lá estavam decidiram realizar a competição, sem regras, apenas com a certeza de que o vencedor teria como prêmio uma garrafa de champanha Mumm,
Em 10 de junho de 1907 os cinco concorrentes deixaram Pequim.

GRID

Um Itala, equipe italiana, composta pelo Conde Scipione Borghese e Ettore Guizzardi.
Um Spyker, equipe franco-holandesa, carro pilotado por Charles Goddard e Jean du Taillis.
Um Contal, triciclo conduzido pelo francês Auguste Pons.
Um DeDion 1, dirigido pelo francês Georges Cormier.
Um DeDion 2, com o fancês Victor Collignon na direção.

A EPOPÉIA

Não havia estradas continuas entre Pequim e Paris. Só havia coragem.
O Ítala logo se distanciou de seus concorrentes, veículos de baixa potência, incapazes de superar os terrenos mais íngremes. Os carros eram puxados por animais, empurrados por homens, sem o que não chegariam aos terrenos mais elevados. Não superariam os atoleiros. Nos declives, as suspensões não aquentavam os baques ocasionados por velocidades que os freios não conseguiam controlar. A mecânica se mostrava inadequada às condições de terreno e clima. Temperaturas elevadas. Onde conseguir água? A solução era utilizar a água potável nos radiadores e suportar a sede.
Dois meses. Sessenta e um dias após a partida de Pequim, no dia 10 de agosto, o Ítala entrava em Paris. Era o primeiro a chegar. O vencedor. 10.000 milhas de sofrimento. O ganhador da garrafa de champanhe Mumm.
Vinte dias depois do triunfo do Ítala, chegaram a Paris outros três participantes. Em segundo lugar o Spyker, em terceiro o DeDion 1 e em quarto o DeDion 2. O quinto carro, um Contal, triciclo de 6HP, não conseguiu completar o percurso.

O CARRO ORIGINAL

O Itala 35/45HP, veículo original vencedor do Rali Pequim/Paris de 1907, está exposto no Museu do Automóvel "Carlo di Biscaretti Ruffia", em Turim, Itália.

A miniatura: Ano: 1907 | Marca: Rio | Escala: 1/43 | Categoria: Veículo de Competição | Referência:


Texto reescrito e complementado em 11/07/2010