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segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

BUGATTI ROYALE TYPE 41 - UM CARRO PARA REIS



CHASSIS 41.100 - O PRIMEIRO PROTÓTIPO







As miniaturas: País: França | Ano: 1927 | Marca: Rio | Escala: 1/43 | Categoria: Carro de Rua


O primeiro protótipo da Bugatti Royale Type 41, montado sobre o chassis 41.100, foi concebido por Ettore Bugatti. A carroceria era de um Packard Eight, segunda série, adquirido por ele no Salão de Paris de 1925. Este modelo, batizado como Torpedo, não foi vendido.
La Royale seria um carro majestoso, suntuoso, digno de reis. Essa era a idéia de Ettore Bugatti ao conceber o projeto Type 41. Por isso mesmo batizou o carro de Royale, pois pretendia vendê-lo somente à realeza.
Contam que, logo após o lançamento do carro, o fabricante negou-se a vender uma Royale ao rei da Albânia - Zog - porque "o homem tem modos  inacreditáveis à mesa".


CHASSIS 41.100 - O SEGUNDO PROTÓTIPO




A miniatura: País: França | Ano: 1928 | Marca: Rio | Escala; 1/43 | Categoria: Carro de Rua

Este "Fiacre", modelo Type 41 Coupé Berline, duas portas, três lugares, criação de Ettore Bugatti, inspirado nas linhas das carruagens, o que era comum na época, foi o segundo protótipo montado sobre o chassis
41.100.


CHASSIS 41.100 - O TERCEIRO PROTÓTIPO




A miniatura: País: França | Ano: 1928 | Marca: Rio | Escala; 1/43 | Categoria: Carro de Rua


Apenas alguns meses depois do modelo "fiacre" Type 41 Coupé Berline, com duas portas, ser apresentada ao público, esta versão com quatro portas, chamada de Type 41 Double Berline, era montada no chassis 41.100. Era a terceira carroçaria nesse chassis.

Era um sedan de quatro portas, ainda baseado no estilo das carruagens da época. Na realidade, uma limousine baseada na versão anterior. Projeto de Ettore Bugatti.


CHASSIS 41.100 - O QUARTO PROTÓTIPO


As carrocerias antiquadas dos protótipos até então apresentados ao público não foram benéficas para a imagem de Bugatti, por isso, em 1929, a quarta carroceria montada sobre o chassis 41.100 foi projetada e construída Weymann, um conceituado encarroçador de Paris, que concebeu um coupé com quatro janelas.

Em 1931 esse protótipo foi destruído por Ettore, que teria cochilado ao volante quando viajava de Paris rumo a Molsheim na companhia da esposa.


CHASSIS 41.100 - O QUINTO PROTÓTIPO




As miniaturas: País: França | Ano: 1931 | Marca: Solido | Escala; 1/43 | Categoria: Carro de Rua


A miniatura: País: França | Ano: 1931 | Marca: Atlas | Escala; 1/43 | Categoria: Carro de Rua


Esta versão do modelo Royale Type 41 - Coupé de Ville Napoleon - foi a quinta carroceria montada sobre o chassis 41.100, após acidente com o quarto protótipo, que envolveu Ettore Bugatti  e sua esposa . O encarroçamento/protótipo que estava montado  sobre esse chassis na ocasião ficou totalmente destruído. A concepão da carroceria do Coupé de Ville Napoleon foi do filho de Ettore, Jean Bugatti, 23 anos de idade, considerado um dos maiores estilistas da história do automóvel.
Medindo 6,4 m de comprimento, com distância de 4,3 m entre eixos e 3.175 kg de peso, foi equipado com um motor de 12,7 L (12,763cc), 8 cilindros em linha, 300 HP, fundido em um bloco único, com 142 cm de comprimento,  lubrificado por 14 L de óleo e resfriado por 48 L de água, atingia 115 km/h a 1000 rpm e velocidade máxima de 180 km/h. 190 L de combustível era a capacidade do tanque.
Como reflexo da grande depressão de 1929, este foi mais um modelo Royale que não foi vendido.  Os planos do industrial, que pretendia vender 25 unidades do Type 41 à realeza mundial, estavam definitivamente prejudicados. O Coupé de Ville Napoleon acabou sendo o carro de uso particular de Bugatti.
Durante a Segunda Guerra este modelo e os  montados sobre os chassis 41.141 e 41.150 foram escondidos, literalmente emparedados, na propriedade Ermenonville de Ettore Bugatti para que não caissem nas mãos dos alemães.
O carro original encontra-se exposto no Musée Nacionale de l'Automobile em Mulhouse, França, ao lado do original de chassis 41.111 e da réplica do "roadster" Esders.



CHASSIS 41.111 - O PRIMEIRO CARRO VENDIDO




A miniatura: País: França | Ano: 1932 | Marca: Altaya | Escala; 1/43 | Categoria: Carro de Rua


Versão Royale Type 41 Esders.
Armand Esders, industrial francês do ramo do vestuário, ao encomendar uma Royale, exigiu que o carro não tivesse faróis, pois ele não dirigia após escurecer.
Na fábrica de Molsheim, sobre o chassis 41.111, foi colocado um motor monobloco de 12,8 L, 8 cilindros em linha, 260CV a 1700 rpm, que levava o carro a uma velocidade máxima de 160 km/h.
Com rodas de alumínio como todas as Royale, era mais uma obra prima de Jean Bugatti. Somente três Royale foram vendidas e a Esders uma delas.
Pouco antes da Segunda Guerra Mundial teria sido revendida ao Rei Carol II da Romênia, que a teria mandado transformar em uma empresa francesa de encarroçamento. O carro resultante dessa transformação foi a Bugatti Type 41 Coupé de Ville Binder, muito semelhante á Coupé de Ville Napoleon.

A HISTORIA DA RÉPLICA

Favorecidos pela economia florescente do pós-guerra, os irmãos Schlumpf, suiços radicados em Mulhouse, França, com indústrias têxteis, iniciaram secretamente uma coleção de carros. Fritz Schlumpf, fascinado pelos carros da  Bugatti, comprou várias peças originais da carroçaria do "roadster" Esders, então destruído, conseguindo montar uma réplica, que passou a fazer parte da coleção.
O acervo atingiu tal grandeza que passaram a usar as dependências de uma fábrica desativada como museu particular. Em 1967 haviam 105 Bugattis, além de Ferraris, Lotus, carros vencedores de Le Mans, Mercedes-Benz pré-guerra, entre outros, cuja manutenção e limpeza eram feitas por uns poucos operários de suas indústrias, homens de confiança que mantinham a coleção em segredo..
Na década de 70 do século passado o eixo da indústria têxtil começou a deslocar-se para a Ásia, porém a fábrica lá montada pelos irmãos Schlumpf não deu os resultlados esperados, só trazendo prejuízos.
O ponto culminante das dificuldades que eles enfrentaram foi uma greve, deflagrada pelos operários franceses, que teve a duração de dois anos e que os levou à falência, obrigando-os a fugir da França.
Seus descontentes funcionários denunciaram a existência do secreto museu particular, que , após longas disputas judiciais entre credores da massa falida, acabou por transformar-se no  museu nacional do automóvel.
A réplica da Royale Esders encontra-se no Musée Nacionale de l'Automobile em Mulhouse, França, exposta junto com outros dois modelos originais (chassis 41.100 e 41.111).
A miniatura da Altaya é baseada na réplica dos irmãos Schlumpf.


CHASSIS 41.111 - A SEGUNDA CARROCERIA 


O rei Carol II da Romênia teria adquirido a Bugatti Esders e a teria entregue ao encarroçador francês Henri Binder para remodelá-la. Binder projetou e construiu um coupé de Ville, parecido com o Coupé de Ville Napoleon, criação de Jean Bugatti, fabricada anos antes.
Outra vertente diz que o governo francês teria adquirido o veiculo em 1935 ou 1939 e o teria mandado reformar.
O compartimento traseiro é blindado e com vidros à prova de balas.
O carro estava em Paris quando eclodiu a Segunda Guerra Mundial. Isso impediu que ele fosse entregue ao monarca romeno. Para que os alemães não se apoderassem dele, foi escondido nos esgotos da Cidade Luz
e, por várias vezes, foi  trocada de lugar.
Em 1949 estava na Inglaterra, sendo propriedade de Frederic Henry. Posteriormente pertenceu ao banqueiro Mills B. Lane, presidente do Citizens $ Southern Bankl,  de Atlanta, USA, que, em 1964 vendeu-a para a Harrah's Collection pelo mesmo preço que havia pago, cerca de $25.000. Em 1986 pertencia a William Lyon de Orange County, California, USA. Dez anos depois, no leilão de 1996 de Barret-Jackson, foi colocada à venda e o lance mais alto foi de 11 milhões de dólares, mas não foi vendida pois tinha uma reserva de $15.000,000 para comprador dos Estados Unidos.
Em 1999, Ferdinand Pietch da Volkswagen, nova proprietário da marca Bugatti, comprou o carro por um preço de 8 milhões de marcos alemães, cerca de $4.000,000 americanos.
Desconheço a existência de miniaturas, em qualquer escala, dessa Bugatti.



CHASSIS 41.121 - O SEGUNDO CARRO VENDIDO



As miniaturas: País: França | Ano: 1931 | Marca: Rio | Escala; 1/43 | Categoria: Carro de Rua


Versão Royale Type 41 Weinberger
Em 1930 o chassis com número 41.121, já com as alterações definitivas em relação aos primeiros protótipos (menor distância entre eixos de 4,27 m e bitola reduzida para 1,60 m), um motor de tamanho menor com 12,763 m3, com curso de 130 mm, mas sem perder potência, com o restante da mecânica Bugatti nele montada, foi vendido ao Dr. Josef  Fuchs, cirurgião de Munique, Alemanha.
O encarroçamento foi encomendado ao fabricante de carrocerias Ludwig Weinberger, também estabelecido naquela cidade. O custo total desse cabriolet, originalmente pintado de preto com acabamento em amarelo, que foi entregue ao proprietário em maio de 1932, teria chegado a $ 43,000.
A situação política turbulenta na Alemanha fez com que Fuchs se mudasse inicialmente para Trieste, e depois para Xangai, na China. Sua fuga do nazismo culminou com sua ida para os Estados Unidos, em 1937, tendo fixado residência em Nova York.
O carro, que o acompanhou em suas andanças, foi colocado sob uma cobertura no quintal da casa de Fuchs, em Long Island. No inverno de 1937-1938, praticamente abandonado ao relento, tornou-se um bloco de gelo, o que acelerou sua deterioração. Não há registro da data precisa, mas Fuchs o vendeu a um comerciante de sucatas.


A RESTAURAÇÃO



A miniatura: País: França | Ano: 1931 | Marca: Del Prado | Escala; 1/43 | Categoria: Carro de Rua


Charles Chayne, um engenheiro que no futuro iria assumir a vice-presidência de engenharia da General Motors, por vários anos ficou "namorando" a Bugatti. Em 1946 ele a encontrou no depósito de sucatas e a comprou por U$ 400.00 mais U$ 12.00 de impostos.
A restauração foi concluída no ano de 1947. O carro passou a ser branco perolado, com uma carroceria levemente alterada e recebeu um novo coletor de admissão com quatro carburadores ao invés do carburador original.
Em 1957 Chayne doou o carro ao Museu Henry Ford, Dearborn, Michigan, onde ainda está sendo exibida, com o seguinte cartaz:
"1931 Bugatti Royale Typé 41 Cabriolet, Ettore Bugatti, Molsheim, França, carroceria de Weinberger, OHC, em linha de oito cilindros, 300cc, 779 de deslocamento cu.in., 7.035 libras (3.191 kg). Preço original: 43.000 dolares. Presente de Charles e Esther Chayne."
A miniatura da Del Prado é do veiculo tal como ficou após ser restaurado por Charles Chaine.


CHASSIS 41.131 - O TERCEIRO CARRO VENDIDO




A miniatura: País: França | Ano: 1933 | Marca: Altaya | Escala; 1/43 | Categoria: Carro de Rua



Versão da Royale Type 41, Limousine Park Ward, montada sobre o chassis 41.131.
Foi comprada pelo capitão C.W.Foster da Grã-Bretanha em junho de 1933. O encarroçamento foi projetado e desenvolvido por Park Ward & Co Ltd, de Londres, e consistia de uma  limousine de sete lugares para passageiros. É a única Royale com lugares para tantos passageiros e também a única a ter estepes colocadas em suas laterais.
Em 1946 Foster vendeu-a para Jack Lemon Burton, que já tinha sido proprietário de outra Type 41, a Esders.
Em 1956 ela foi novamente vendida, agora para João de Shakespeare Centralia, Illinois, Estados Unidos, que chegou a possuir 30 Bugattis, a segunda maior coleção depois do acervo Schlumpf. Estes, entre 1954 ou 1966, acabaram comprando a coleção de Centralia


CHASSIS 41.141 - COACH KELNER





A miniatura: País: França | Ano: 1932 | Marca: Altaya | Escala; 1/43 | Categoria: Carro de Rua

Modelo Type 41, originalmente montado sobre o chassis 41.141, conhecido como Coach Kellner.
No ano de 1931 os efeitos do "crash" de Wall Street se faziam sentir mais fortemente na economia européia. No entanto, encorajado pelas vendas de duas unidades para Esders e Fuchs, Ettore Bugatti resolveu explorar o mercado inglês. Ele contratou o mais renomado projetista/construtor de carrocerias de Paris para a concepão de um carro grão turismo que fosse, em todos os sentidos, o mais sofisticado do mercado.
O projetista Kellner, considerado um homem de extremo bom gosto, acostumado a produzir encarroçamentos para veículos Hispano Suiza e Duesemberg J, submeteu à apreciação de Ettore vários projetos. A proposição escolhida para apresentação no Olympia Show, em Londres, foi a de um sedan de duas portas (saloon).
Com preço de seis mil e quinhentas libras, de longe o mais elevado, foi elogiadissimo por suas proporções, requinte e nobreza de linha.
A obra prima permaneceu em poder da família Bugatti durante a Segunda Guerra por ter sido  constantemente escondida em lugares diversos.
Posteriormente, vendido a Briggs Cunninghams pela filha de Ettore, essa Royale foi um dos expoentes de sua coleção. Mantido em perfeitas condições, era posto em funcionamento regularmente, geralmente transportando visitantes do museu de Briggs.
Cunninghams vendeu-o em 1987 por cinco milhões e quinhentas mil libras. Desconhece-se o comprador.
A partir de 1990 foi propriedade da Meitec Corporation, uma empresa de engenharia japonesa que o teria comprado por dez milhões de reais.
Hoje pertence ao grupo Volkswagen, que é proprietário da marca Bugatti.



CHASSIS 41.150 - UM NOVO PROTÓTIPO





A miniatura: País: França | Ano: 1929 | Marca: Rio | Escala; 1/43 | Categoria: Carro de Rua

Modelo Type 41, versão Double Berline de Voyage, projeto de Bugatti, carroceria montada sobre o chassis 41.150, tem data de fabricação imprecisa, mas os estudiosos, considerando as características do veiculo, peças e materiais utilizados, concluem que foi fabricado em 1929, provavelmente antes do Coupé de Ville Napoleon.
Foi montado na própria fábrica da Bugatti e parece ser o primeiro modelo projetado sobre um chassis mais curto. A falta de sequência na numeração do chassis - termina em zero e não em um como os demais - parece ser o indicativo da pretensão de desenvolver uma nova versão. O carro não foi vendido e permaneceu em poder da família Bugatti até 1950, quando a filha de Ettore o vendeu a Briggs Cunningham, que mais tarde a revendeu a Cameron Peck de Chicago, USA. Posteriormente, o Dr. B. Skitarelic, Jack Nethercutt, Bill Harrah, Jerry Moore e Tom Monaghan detiveram, sucessivamente, sua propriedade. Depois disso fez parte da Blackhawk Collection, da Califórnia, e do Palácio Imperial Collection, de Las Vegas, ainda nos Estados Unidos. A última notícia que se tem é que seria propriedade de um coreano chamado Lee.




segunda-feira, 13 de setembro de 2010

HISPANO-SUIZA H6B - UM CARRO PARA A REALEZA


UMA PITADA DE HISTÓRIA

Emílio da Cuadra, capitão de artilharia do exército de Espanha, no ano de 1898 iniciou a produção de carros elétricos com a marca La Cuadra na cidade de Barcelona, capital da Catalunha, Espanha..

Durante estada em Paris, França, conheceu o suíço Mark Birkigt (1878-1953) e o contratou para trabalhar em sua indústria na Espanha. Com base nos desenhos desse destacado engenheiro, Emílio da Cuadra desenvolve seus primeiros motores a gás.

Em 1902 J.Castro adquire a empresa, cujos negócios não iam bem, e a converte na Fábrica Hispano-Suiza de Automovilles, que continua com dificuldades financeiras até encerrar suas atividades em fins de 1903.

Damià Matais e Francesc Seix fundam, em 14 de junho de 1904, ainda em Barcelona, a Sociedad Anônima Hispano-Suiza, que se tinha como fim a fabricação de automóveis.

Mark Birkigt é contratado para dirigir a área técnica da nova empresa e ainda no ano de 1904 o primeiro Hispano-Suiza era produzido. Seu destino? A Argentina.

Também em 1904 o Hispano-Suiza é apresentado no Salão do Automóvel de Paris, onde despertou grande interesse dos empresários da indústria automobilística

Em 1908 a fábrica deixa as instalações da rua Villarroel e se instala na Sagrera.

O braço francês da empresa é fundado em 1911, estabelecendo-se em Levallois-Perret a Société Française Hispano-Suiza.

O Rei Alfonso XIII, um entusiasta dos carros de competição, interessa-se a tal ponto pela Hispano-Suiza que se torna seu cliente, adquirindo um modelo baseado no Copa Cataluña, que, em 1910, havia ganho várias competições na Europa.

Esse carro, produzido em 1911 na planta de Lewvallois-Perret, era menos potente, com um motor adequado ao uso na cidade. Como a população passou a chamar o carro de Alfonso XIII, os fabricantes pediram licença à casa real para nomear o modelo dessa forma, tendo sido atendidos.

A produção do modelo Alfonso XIII a partir de 1912, um carro excelente avalizado pelo uso de um monarca, aumentou o prestigio da marca e abriu caminho para o futuro sucesso do modelo H6B, projetado para ser um carro para reis, caro, muito elegante e confiável.

O êxito dos fortes motores, agora concorrendo diretamente em solo francês, levou os industriais locais a protestar e exigir que se os testassem durante cincoenta horas de funcionamento ininterrupto.

A fábrica catalã concordou, mas desde que os motores das indústrias franceses fizessem igualmente a prova. E assim foi feito. Ao cabo de dez horas não havia mais motores franceses funcionando. Os Hispano-Suiza duraram mais de dois dias.

Em 1914 a planta industrial da Hispano-Suiza deixa Levallois-Perret e é instalada em Bois-Colomes.

A cegonha, símbolo da marca, foi adotada no término da Primeira Guerra Mundial, em homenagem do nome do capitão francês Georges Guynemeyer, que se tornara um dos ases da aviação utilizando os motores Hispano-Suiza.

Por incrível que pareça, a Hispano-Suiza, desde os seus primórdios, até seu declínio em 1931 com a proclamação da república na Espanha, no dia 14 de abril, era famosa e conhecida por sua produção de motores para aviação, como o 8ª. Considerando-se o original e suas variantes, antes e durante a Primeira Guerra Mundial, foram produzidas mais de 50.000 unidades. A segunda linha de produtos mais conhecida era a de armamento bélico, onde se destacou o canhão 404 de 20 mm. Veículos de transporte pesado também foram fabricados com a marca.

Com o fim da monarquia, os imponentes carros de luxo que a Hispano-Suiza produzia, até então um símbolo de prosperidade e elegância, da noite para o dia passaram a ser um estigma inaceitável para os espanhóis.

No ano de 1933 é apresentado o modelo J12 de 12 cilindros, de grande aceleração e pouco ruído, que sucederia o H6B.

Em 7 de dezembro de 1935 morre Damià Matais, acelerando o processo de declínio da empresa. Assume o Conselho de Administração Miguel Matais.

Oito meses depois a Guerra Civil Espanhola é deflagrada e a fábrica é coletivizada e assim permanece durante todo o conflito. Ao término das hostilidades a empresa é devolvida aos proprietários, mas a forte recessão econômica não é favorável à comercialização de carros de luxo.

O Instituto Nacional da Indústria, tempos depois, adquiriu a fábrica de Barcelona e nessa planta industrial foi instalada a ENASA, produtora dos v eículos da marca Pegaso.


HISPANO-SUIZA H6B





As miniaturas: País: França | Ano: 1926 | Marca: Solido | Escala: 1/43 | Categoria: Carro de rua

A miniatura: País: Espanha | Ano: 1934 | Marca: Altaya | Escala: 1/43 | Categoria: Carro de rua

Foi apresentado por Mark Birkigt a uma entusiasmada multidão no Salão do Automóvel de Paris de 1919.

Media 4.823 mm de comprimento, 1.765mm de largura, distância entre-eixos de 3.680 mm, bitola de 1.420 mm e peso total de 1.524 kg, o que o transformava em um carro leve.

Tração traseira, caixa de câmbio não sincronizada com cinco marchas, um potente e flexível motor dianteiro de 6597 cc, 135HP, a 3000 rpm , que levava o carro a desenvolver uma velocidade máxima de 130 km/h. Um bloco em alumínio, seis cilindros em linha, com seus interiores de aço aparafusados e distribuição das válvulas no cabeçote, as passagens de água revestidas com um verniz a prova d’água para evitar a corrosão, demonstravam um avanço tecnológico impar, tudo concepção de Mark Birkigt, inspirado no “design” de seu motor V12 para aviões,.

O chassis tradicional, que aparentava ser como os demais da época, inovava com suas barras longitudinais em U. Nos primeiros modelos produzidos não havia amortecedores, a suspensão apresentava eixos rígidos e molas. A direção era com parafuso de rosca sem-fim.

Os freios a tambor de liga leve nas quatro rodas, característica pouco usual na época, com um revolucionário controle único fixado na transmissão que aumentava a ação de frenagem quando o carro era desacelerado, foram o ponto alto da apresentação do H6B. Esse sistema era tão avançado, tão à frente de seus concorrentes que a Rolls-Royce solicitou permissão para utilizá-lo. Somente algum tempo depois o licenciamento foi concedido a outras indústrias, inclusive à grande concorrente Rolls-Royce.

A carroceria, em madeira, aço e outras ligas de metal, era acabada com esmero. Seu interior luxuoso tinha capacidade para cinco passageiros.

Um carro clássico que, na época, foi por muitos considerado superior aos inquestionáveis Rolls-Royce.

segunda-feira, 30 de agosto de 2010

UM LEÃO ELÉTRICO

PEUGEOT VLV (VOITURE LÉGÈRE DE VILLE)



A miniatura | País: França | Ano: 1941 | Marca: Norev | Escala: 1/43 | Categoria: Carro de rua

Durante a segunda guerra mundial a indústria automobilistíca francesa estava destruída. Os franceses estavam impedidos de usar gasolina que, assim como o diesel, ficavam totalmente à disposição do exército alemão. O carvão, o gasogênio e a eletricidade eram a saída. Os dois primeiros combustíveis eram muito perigosos e acarretavam um peso adicional aos veículos. Por isso logo começaram a ser descartados. Então, em 1941, a S.A. des Automobiles Peugeot, estabelecida em Paris, França, apresentou este estranho e pequeno veículo movido à eletricidade. VLV (Voiture Légère de Ville), o veículo leve para cidade, que pesava 365 kg, podia levar duas pessoas e alguma carga. Tudo não podia ultrapassar os 150 kg. Media 2,67 m de comprmento, 1,21 m de largura e 1,27 cm de altura, com distância entre eixos de 1,79 m, tendo o eixo dianteiro 1050 mm e o traseiro 330 mm de comprimento, e quatro rodas de 270x90 mm. Chassis em aço, carroceria em alúmínio, de formas simples, com duas portas com excelente abetura, um porta-malas que permitia transportar apenas pequenos volumes e uma capota que podia ser abaixada. Um farol circular dianteiro e uma lanterna traseira, ambos circulares. Motor elétrico de 48V, alimentado por quatro baterias de 12 volts, colocadas sob o capô, proporcionavam uma autonomia de 50 milhas (80 km) e velocidade máxima de 30km/h (19mph). Entre 1941 e 1945 foram produzidas 377 unidades desse microcar.