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sábado, 5 de maio de 2012

FIAT 3,5 HP - O INÍCIO DE UMA HISTÓRIA DE SUCESSO






A miniatura: País: Itália | Ano: 1899 | Marca: Dugu | Escala: 1/43 | Categoria: Carro de rua


ANTECEDENTES

No final do século XIX a fabricação incipiente de automóveis começava a tomar vulto. Não foi diferente na Itália. No início dos anos noventa o engenheiro Enrico Bernardi, de Verona, projetou um pequeno triciclo a gasolina, cuja produção, iniciada em 1894, ficou a cargo da empresa Miari & Righteous. Este é considerado o primeiro carro italiano.

FABRICA ITALIANA AUTOMOBILI TORINO - FIAT

Em 11 de julho de 1899 um grupo de aristocratas do Piemonte, liderados por Giovanni Agnelli, todos apaixonados pelo automobilismo, fundaram a FIAT - FÁBRICA ITALIANA DE AUTOMÓVEIS TURIM., que naquele mesmo ano iniciou a fabricação do modelo 3,5 HP (também chamado de 4 HP ou 3,5 CV).

A parte mecânica deste carro foi baseado em um automóvel projetado pelo engenheiro Aristide Faccioli, o "Welleyes", e a carroceria é creditada a Marcello Alessio, de Turim. Foi fabricado manualmente por Accomandita Ceirano & C, empresa que fora adquirida pela iniciante FIAT.

O FIAT 3,5 HP

O motor de dois cilindros de 0,7 litros (679cc ou 657cc, conforme a fonte), refrigerado a água, colocado na traseira do veículo, tem uma potência real de 4,2 cv a 800 rpm (outros falam em 4,5 HP a 800 rpm). Segundo algumas fontes os fabricantes apresentaram o carro com a potência nominal reduzida devido a questões fiscais.
A caixa de câmbio manual apresenta três marchas à frente e nenhuma à ré, além de um dispositivo que propicia rodas livres. Embreagem em forma de cone e transmissão por corrente.
Apesar do motor pequeno, atingia uma velocidade de 35 km/h (22 mph) e seu consumo era de cerca de 8 litros de combustível a cada 100 km.
A carroceria tinha lugar para quatro passageiros 'vis-a-vis" (sentados, dois a dois, cara a cara). Dois conjuntos de freios estão colocados no banco traseiro. Um, acionado com os pés, age sobre o eixo e o outro, acionado manualmente, freia as rodas. Estas são de materiais e dimensões diferentes. As dianteiras, metálicas, são menores e utilizam pneus 580x25 e as traseiras, de madeira, tem pneus 670x55.
A distância entre eixos é de 1.470 mm. O comprimento de 2.300 mm o torna um carro compacto, considerando-se a capacidade de transportar quatro passageiros, A largura mede 1.420 mm e a altura 1.450 mm. O peso é de 680 kg (1.499 lb).

PRODUÇÃO


Também aqui há divergências. uns dizem que foram produzidas 24 unidades. Outros falam em 26 carros.
Concordam que no primeiro ano, 1899, oito veículos saíram da fábrica. o restante foi produzido em 1900.

O QUE EXISTE HOJE


Pelo menos quatro unidades são conhecidas e podem ser vistas no Centro Storico Fiat e no Museo Nazionale del'Automobile, ambos em Turim, Itália, no Henry Ford Museum, em Dearborm, USA  e no National Motor Museum, em Beaulieu, no Reino Unido.

sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

CHRYSLER TOWN & COUNTRY CONVERSÍVEL






A miniatura: País: USA | Ano:1947 | Marca: Matchbox | Escala: 1/43 | Categoria: Carro de rua


ALGUNS ESCLARECIMENTOS

A Chrysler produziu a sua primeira perua  “woody”  (madeira), em 1941. Era o lançamento da linha Town & Country através de uma “woody station wagon”. A denominação “station vagon”, ou seja,  “vagão de estação”, era uma alusão ao principal trabalho desenvolvido com essas caminhonetas, que era o vai e vem entre as propriedades agrícolas e as estações ferroviárias, pois o trem era o principal meio de transporte da época para longas viagens.

7 de dezembro de 1941. Pearl Harbour é atacada pelos nipônicos. Os Estados Unidos passam a fazer parte dos países diretamente envolvidos na Segunda Guerra Mundial. A Chrysler cessa sua produção normal no dia 29 de janeiro de 1942. A indústria norte americana volta-se para a produção de materiais bélicos.

1945. A Segunda Guerra mundial terminara e a properidade efervescente dos primeiros anos do pós-guerra mantinha a economia em plena atividade. A Doutrina Truman desafiava o totalitarismo, as Nações Unidas haviam se estabelecido em Nova York e a jovem diva chamada Maria Callas fizera seu “debut”.

Parava a produção bélica e reiniciava a fabricação de automóveis.

Em 1946 a perua “Woody” de 1941 não mais era produzida e a Chrysler retomava o que a guerra interrompera: o desenvolvimento da linha Town & Country. E com grandes novidades.

Uma nova perua, cujo projeto fora baseado em um sedã de quatro portas, o Windsor, era oferecida ao mercado. Uma grande novidade para esse segmento era o teto metálico e não de madeira coberta com lona como o das concorrentes. Novos conceitos, internos e externos, davam ao veículo uma distinção e elegância ímpares.

Mas a Chrysler não parou por aí. Nenhuma concorrente, na faixa de carros de luxo, oferecia veículos  “woody’ afora as “station wagon”.

Projetou um coupé com teto rigido, um sedã de duas portas e um roadster, que não chegaram a ser produzidos.

Em contrapartida, levou ao público um sedã quatro portas e um conversível de duas, produzidos na Chrysler Jefferson Street Plant, em Detroit.


A ESTRELA DA COMPANHIA

O Chrysler Town & Country conversível trouxe aos projetistas um sem número de desafios. O maior deles foi superar a falta de uma capota de aço e as portas em madeira, que influíam diretamente na força de torção.

Depois de muitas tentativas frustradas, os engenheiros desenvolveram um cinturão de aço ligando toda a parte inferior da carroceria, uma prateleira igualmente de aço ligando os dois paralamas traseiros que, aliados a uma capota conversível convencional, solucionaram o grande problema do modelo.

Os pilares “B” – colunas entre as janelas dianteiras e traseiras – eram de madeira maciça encaixados em túneis de aço que percorriam todo o assoalho, propiciando que a estrutura se mantivesse dentro da angulação exigida.

O mecanismo para movimentar os vidros das janelas traseiras era composto de placas metálicas, que auxiliavam na diluição do estresse da madeira sobre o terceiro volume da carroceria.

As portas eram de madeira maciça e por causa de seu peso placas metálicas foram  adicionadas para suportar dobradiças e fechaduras.

Nenhuma linha de montagem em série conseguiria produzir a carroceria desse carro, tal a complexidade de seu projeto. Toda a solda era feita manualmente. A madeira de freixo branca, que servia de moldura às partes não metálicas, era selecionada cuidadosamente, observando-se a granulação de cada pedaço, separando-os em lotes com aspecto similar. Posteriormente, todo corte, acabamento e montagem era feito manualmente. Um espetacular trabalho de marcenaria artesanal.

Da mesma forma, os painéis de mogno maciço - que foram utilizados até meados de 1947 e posteriormente substituídos por decais Di-Noc colocados sobre painéis de metal – eram cuidadosamente escolhidos para que, quando estivessem lado a lado, apresentassem uma visão harmônica do conjunto. A escolha dessas duas espécies de madeira, fornecidas por Pekin Wood Products of  Helena, Arkansas,  mostraram-se, com o passar do tempo, um grande acerto, pois além da beleza, demonstraram ser altamente resistentes, com grande durabilidade.

Com a utilização de ferramentas simples como um martelo, peças metálicas, cunhas, cola, cordas, material para calafetar, davam forma e rigidez às estruturas de madeira. Mas isso era feito muito lentamente, com esmero, onde cada artesão não fazia mais do que uma tarefa específica.


Dizer que a Town & Country consumiu um absurdo de horas trabalhadas é chover no molhado. Pasmem. Para montar uma capota conversível na carroceria eram necessários doze trabalhadores.


O estofamento e acabamentos internos utilizando forração de origem escocesa e couros Bedford, propiciavam um requintado diferencial.

Dois modelos de rádio eram oferecidos: um de 6 e outro de 8 válvulas, e três antenas, sendo uma delas a famosa unidade “caw” – aquele belo par de chifres sobre o capô. E isso era sinal de proeminência social. Destacava os criadores de gado. A Chrysler, utilizando um material menos nobre – a madeira – conseguiu vender a idéia de que ter um Town & Country era atestado de opulência, pois quem tinha esse objeto de cobiça obviamente tinha residências na cidade e no campo. Com o passar do tempo o conversível tornou-se o maior símbolo de status e passou a ser um desmedido desejo nacional. Quando artistas de Holllywood passaram a utilizá-lo nada mais necessitava ser feito como esforço de marketing. 

Quando a carroceria estava totalmente montada era acoplada ao chassis e, aí sim, seguia um ritmo normal de uma planta industrial de montagem em série.

Somente o conversível vinha montado no chassis New Yorker, pois assim o exigia o motor “Spitfire” de 8 cilindros, 323,5 polegadas cúbicas, 135 cv a 3400 rpm. Os outros dois modelos utilizavam um motor de 6 cilindros e o chassis do Windsor. Câmbio manual de três marchas e freios hidráulicos em todas as rodas.

Sua produção total foi de 8.380 unidades, simplesmente mais do que o dobro da produção do sedão lançado na mesma ocasião.

segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

FORD 999 - UM RECORDE MUNDIAL DE HENRY FORD



Henry Ford tinha interesse em carros de corrida e em 1901 construiu e dirigiu um veículo que venceu uma disputa contra Alexander Winton e outros adversários. Com a receita oriunda dessa competição fundou a Henry Ford Company. Em março de 1902, em virtude de disputas com acionistas, Ford deixou a empresa, levando consigo 900 dólares e o planejamento para construir um carro de corrida. Henry Leland assumiu a empresa e, ainda em 1902, transformou-a na Cadillac Motor Company.

Henry Ford, em colaboração com o ciclista Tom Cooper, financiador do projeto, mais uma equipe de assistentes, dedicaram-se a criar dois veículos de competição. O resultado da empreitada foi um enorme motor com quatro cilindros em linha, 18,8 litros (1155,3 polegadas cúbicos), com cerca de 70/100CV, montado sobre um chassis de madeira sem qualquer carroçaria. O custo total ficou em 5.000 dólares, uma quantia considerável para a época.

Com os carros ainda em desenvolvimento, Ford deixa a sociedade, vendendo sua parte a Tom Cooper e Barney Oldfield por oitocentos dólares, abrindo mão das receitas futuras oriundas das corridas, mas mantendo o nome Ford nos veículos e o direito de exploração de promoções e publicidade futuras, o que veio a garantir sua imagem diante do sucesso obtido pelo carro.

No verão de 1902 Oldfield e Cooper começaram a construir o carro vermelho, que foi batizado com o número 999. Esse número era uma homenagem à locomotiva americana Empire State Express, que levava esse número e que, em 10 de maio de 1893, estabeleceu um recorde mundial de velocidade, atingindo 112,5 mph (181,1 km/h), tornando-se o primeiro veículo dirigido por um homem a ultrapassar 100 mph (160 km/h), sob sua própria propulsão.

O outro carro - amarelo - foi batizado Arrow (Seta).

Em 25 de outubro de 1902, o inexperiente Barney Oldfield dirigiu o 999 e derrotou, como Henry Ford previra, Alexander Winton, W.C.Bucknam e Charles Shauks, com grande facilidade, percorrendo as cinco milhas na pista de Grosse Pointe em 5 minutos e 28 segundos, um recorde nos Estados Unidos.

O 999 participou de toda turnê norte americana vencendo muitas competições.

Desfaz-se a sociedade. Cooper manteve a posse do carro, enquanto Oldfield passou a correr juntamente com o antigo adversário, Winton.

Em setembro de 1903 o Arrow, o carro amarelo, acidentou-se, matando seu piloto Frank Day.

Henry Ford, que com os 800 dólares que recebera de Oldfield e Cooper, já havia iniciado as atividades da Ford Motor Company, comprou o carro avariado, recuperando-o, com a finalidade de realizar uma prova de velocidade sobre a superfície de um lago gelado.

No dia 12 de janeiro de 1904, Henry Ford dirigiu o reformado Arrow, pintado de vermelho e rebatizado 999 – a imprensa passou a chamá-lo de “novo 999”, por ter sido reformado, ou “Red Devil”, ou com uma combinação dos dois – no Lago Saint Clair, a uma velocidade de 91,37 mph (147,05 km/h), novo recorde, que durou apenas um mês, mas que foi amplamente divulgado nos meios de comunicação trazendo uma excelente publicidade para a empresa Ford.

O veículo original está exposto no Museu Henry Ford em Dearborn, MI. Existe uam réplica que está no Motorsports Hall of Fame do American Museum em Novi, MI.

A miniatura da Brumm, na escala 1/43, é réplica do carro comprado por Ford, o Arrow, reformado e rebatizado 999, com o qual bateu o recorde de velociade. Código R015.